Morre aos 88 anos o Diretor do Estadão Ruy Mesquita

Morre aos 88 anos o Diretor do Estadão Ruy Mesquita

Abril de 2004 - O jornalista Ruy Mesquita participa da cerimônia de entrega do Prêmio Personalidades da Comunicação 2004, no Centro de Convênções, em São Paulo (Foto: Tom Dib/Futura Press/Arquivo)
Ruy Mesquita participa da cerimônia em abril
(Foto: Tom Dib/Futura Press/Arquivo)


Ruy Mesquita era da terceira geração de uma das mais tradicionais de jornalistas do Brasil e por mais de 60 anos esteve na linha de frente do jornal “O Estado de São Paulo”, conhecido como “Estadão”. O jornalista estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e morreu na noite desta terça-feira (21), aos 88 anos.
O “Dr. Ruy’, como costumava ser chamado, ocupava o cargo de diretor de opinião do “Estadão” e, nos últimos anos, era o responsável direto pelos editoriais do jornal, considerados entre os melhores da imprensa brasileira.

Filho de Julio de Mesquita Filho e neto do patriarca Julio Mesquita,  nasceu em 16 de abril de 1925 e cursou a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), mas trocou os estudos jurídicos pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Ruy Mesquita iniciou a carreira como repórter em 1948. Ocupou os cargos de redator, editor de Internacional e diretor do Jornal da Tarde - fundado sob sua orientação em janeiro de 1966 e extinto no final do ano passado. Em 1996, após a morte do irmão Julio de Mesquita Neto, com quem dividia a responsabilidade pela orientação editorial, Ruy Mesquita assumiu a direção do “Estadão”.

Fundado em 1875 com o nome  de “A província de São Paulo”, o “Estadão”  é  um dos jornais mais antigos e de maior influência no país e, por muitos anos, foi apontado como conservador, embora Ruy Mesquita gostasse de defini-lo como uma publicação de ideias liberais e democratas.

Ao lado do pai Julio de Mesquita Filho, o jornalista apoiou o golpe de 1964 - ou contragolpe e contrarrevolução, como preferia chamar -, mas rompeu com o regime após a edição do Ato Institucional n.º 2, que cancelou as eleições de 1965.

Por sua resistência, o jornal acabou sendo alvo da censura prévia. Em 1968 chegou a ter uma edição apreendida. Os jornais do grupo entraram para a história do jornalismo ao desafiar os militares com a publicação de versos de “Os Lusíadas”, de Camões, e receitas de bolos e doces no espaço dos textos censurados.

Nos anos 70, a construção da nova sede do grupo na Marginal Tietê, em São Paulo, deixou o grupo em  dificuldades financeiras, contornadas apenas anos depois.

Em 1988 o grupo passa por uma grande reforma administrativa e são criadas diferentes unidades de negócio e Ruy Mesquita torna-se o diretor responsável pelo "Jornal da Tarde".

Em 1996, ele torna-se o diretor responsável de "O Estado" e, no ano seguinte, assume a
Presidência do Conselho de Administração, cargo que ocupou até 1998. Nos anos seguintes o Grupo Estado inicia um processo de reestruturação e de profissionalização, com os membros da família Mesquita que ocupavam cargos executivos ou de comando editorial sendo substituídos por profissionais do mercado.


Em 2012 o comando da companhia voltou para um dos herdeiros da família Mesquita. Desde outubro do ano passado, Francisco Mesquita Neto, primo de Ruy Mesquita, ocupa o cargo de diretor-presidente do Grupo Estado.

Além do jornal “O Estado de S. Paulo”, o Grupo Estado reúne atualmente a Rádio Eldorado, a Agência Estado, a Oesp-Mídia, a Oesp-Gráfica e o portal Estadao.com.br.

Fonte: G1
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